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| INFORMAÇÕES SOBRE CULTIVO |
| ÁLVARO PESSÔA |
Tendo-me dedicado, pelos últimos anos, ao cultivo de orquídeas, acho que posso aconselhá-lo na escolha, compra e cultivo, sobretudo se você ainda não é um orquidófilo experiente.
Em segundo lugar, procure assimilar tudo o que o fascinante mundo das plantas tem a lhe oferecer. Procure entendê-las em suas necessidades de luz, umidade, ventilação e época de adubação. Se você é principiante, procure conselhos de um colega mais antigo, de um botânico ou de um agrônomo. Procure filiar-se a uma sociedade orquidófilia em sua cidade e freqüente exposições. Procure ler, ainda, as considerações abaixo sobre diversos ítens da cultura:

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I - Raízes Saudáveis Na natureza, de uma forma geral, as raízes são aéreas, isto é, encostam-se nos troncos, mas 60% de sua superfície fixa exposta no ar. Portanto, quando a chuva molha as raízes, a água escorre e não fica estagnada. Logo, quando retiramos orquídeas das árvores e as instalamos em vasos, nossa única possibilidade de sucesso é assegurar um substrato suficientemente arejado e que evite o apodrecimento das raízes pela acumulação de água. Uma planta sem raízes saudáveis (ou sem raízes), ou, ainda, com raízes apodrecidas, é como um ser humano sem aparelho digestivo (ou com os órgãos doentes), que não tem como se alimentar. Até hoje, substrato mais utilizado no Brasil foi o xaxim. Seu uso está proibido por lei. Esqueça-o. Os ingleses utilizaram, durante anos, o musgo, que, após décadas de desuso, está novamente em plena utilização, com resultados assombrosos, sendo o único substrato que, embora sempre úmido, não apodrece as raízes. Venho utilizando o pedrisco, pelos últimos quinze anos, com excelentes resultados. De uma forma ou de outra, lembre-se que a manutenção intercalada de períodos em que as raízes ficam secas com outros em que ficam molhadas, é fundamental para a boa cultura. Finalmente, é claro que as dimensões do vaso e o número de orifícios dele têm muito a ver com a manutenção das raízes. Quanto maior o vaso, maior a umidade retida. Vasos muito grandes são, geralmente, causa direta do apodrecimento das raízes, sobretudo os sem muitos orifícios de escoamento. IV - Temperatura Embora não creia que ela seja um fator decisivo, não seria irrelevante lembrar a total impossibilidade de cultivar Sophronitis mantiqueirae em Maricá ou C. violacea em Campos do Jordão ou vice-versa. Em resumo, escolha as plantas adequadas ao seu clima. É claro ser imensa a capacidade de adaptação das orquídeas ao clima. C. violacea e C. eldorado, do Amazonas, podem florescer em Petrópolis, e conheço mesmo um colecionador que faz florir, regularmente, Sophronitis coccinea em São Conrado, no Rio de Janeiro. São exceções! VI - Replante Aqui começa realmente a grande encrenca para o iniciante. Orquidofilia é um "hobby" apaixonante e o neófito tende a "fuçar' a planta, futucar a planta e, sobretudo, cortar ou replantar quando não deve. Pensa, sobretudo, que aquelas raízes fora do vaso deveriam estar enfiadas dentro do vaso. Se possível, dentro de um vaso bem grande. E aí, adeus planta! Em princípio, só corte o rizoma de sua planta na primavera ou quando ela estiver soltando raízes ou brotos, levada pelos hormônios do crescimento. Refreie seu entusiasmo e deixe as raízes para fora do vaso. Elas irão bem, obrigado! Muito melhor fora do que dentro do vaso. Cuidado com vasos grandes! Não tenha pressa em, de uma planta, fazer duas. Espere a planta ficar forte para, então fazer duas ou três mudas. Quando retirar a planta que vai ser dividida do vaso velho, preserve as pontas de raízes verdes e aquelas com o velame em perfeitas condições. Elimine as raízes secas e podres que irão atrapalhar a planta reenvasada. Deixe a planta reenvasada em lugar sombreado. Não a molhe muito, para forçar o sistema radicular a se desenvolver. Não fique futucando o substrato para ver se as raízes já estão crescendo. Tenha calma! A natureza não tem pressa! Lembre-se de que paciência.... paciência e paciência é a maior virtude dos orquidófilos. Compre muitas plantas, de tal sorte que a sua ansiedade se distribua entre todas elas. Nunca corte sua planta, nem as flores, ou mesmo as raízes, sem desinfetar a faca. Faça-o por meios físicos, levando a faca até o rubro ou, por meios químicos, com álcool-iodo saturado. Cure com cal virgem o corte feito! Seja disciplinado desde o início. Tenha uma caixa verde para facas desinfetadas e uma vermelha para facas já utilizadas. Ao cortar flores, se uma planta estiver com vírus, ele vai se propagar em todas as outras. Corte cada planta ou flor com uma faca, coloque-a de lado e corte outra flor com outra faca, e assim sucessivamente. Quando todas estiverem utilizadas, leve-as à desinfecção novamente.
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II - Umidade Relativa do Ar Tão importante quanto as raízes é a manutenção, em seu orquidário, de adequada umidade relativa do ar. Muitos iniciantes já mataram plantas afogadas, tentando aumentar a umidade relativa do ar. Vamos simplificar o entendimento dessa questão, que pode também ser enunciada de outra forma. Em vez de umidade relativa do ar, podemos falar de coeficiente de evaporação. Alto ou baixo coeficiente de evaporação. Em Brasília, por exemplo, de maio a setembro, o coeficiente de evaporação é alto. O ar é tão seco como o do deserto do Saara e , a contrário senso, o índice de umidade relativa do ar é baixo. Se você morar em Brasília e molhar sua orquídea 5 (cinco) vezes por dia, ela vai apodrecer as raízes e morrer. A solução não é molhar a planta 5 (cinco) vezes por dia. É construir uma estufa com abundante vegetação no solo, ou com água correndo entre as pedras, de sorte que o ar fique mais úmido. III- Insolação Caso você já tenha tido oportunidade de adentrar matas em busca de orquídeas, deve ter verificado que é nas encostas banhadas pelo sol nascente, que a ocorrência de plantas é maior. Não são comuns plantas em encostas iluminadas pelo sol da tarde. Sua estufa, tanto quanto possível, deve ser localizada na parte do terreno que o sol banha primeiro. Esse é o melhor sol para as plantas. Lembre-se que luminosidade em excesso pode ser controlada, mas dificilmente carência de luminosidade pode ser reparada, depois da construção de sua estufa. É claro que aumento de luminosidade está associado com aumento de calor e, conseqüentemente, com a necessidade de regas mais freqüentes mas, ainda assim, construa sempre onde houver muito sol pela manhã. É preferível e mais fácil controlar a rega do que a luz. V - Regas Já que falamos em regas, não seria extemporâneo falar sobre esta importante questão. Os veteranos sempre se defrontam com perguntas feitas pelos iniciantes desta forma: "Quantas vezes, por semana, regar?" A resposta é sempre: "Depende". Ou então: "Minha planta não cresce bem, será por causa da rega?" Mais uma vez, depende. Se você estiver regando muito, a planta não cresce porque as raízes apodrecem. Se estiver regando pouco, não cresce porque as raízes secaram! Em princípio, no verão, em que o índice de evaporação é alto, a umidade relativa do ar baixa e a insolação abundante, rega-se todos os dias. Algumas vezes, duas regas por dia ou, quando isso não é possível (ou desejável), rega-se bastante o chão e as paredes de estufa, à tarde. No inverno, os dias ficam menores (diminui o tempo de insolação), o nevoeiro ocorre pela manhã (o que aumenta o índice de umidade relativa do ar) e o ar fica mais fresco, diminuindo as necessidades de regas. As estufas dos orquidófilos de Teresópolis, nos locais mais úmidos durante os meses de junho e julho ficam, muitas vezes, quinze dias seguidos sem receber qualquer rega. A questão, todavia, não é de fácil solução, sobretudo quando quem toma conta das plantas não é você, mas seu caseiro, que precisa "sentir" e "entender" as necessidades das plantas tão bem quanto você, ou pelo menos quase tão bem como você. Só uma coisa é certa. Nunca utilize um pratinho cheio d'água debaixo do vaso. VII - Adubos, Fertilizantes e Desinfecções Procure utilizar adubos inorgânicos com dosagem equilibrada de potássio, fósforo e nitrogênio. Há várias marcas disponíveis no mercado. Adubos orgânicos, sobretudo quando contêm elevada dose de nitrogênio, como farelo de mamona ou estrume de aves, mesmo curtido, costumam deformar a floração, embora sejam muito úteis para o crescimento de seedings. Adube, no verão, a cada quinze dias e suspenda ou diminua muito a adubação no inverno. Aplique inseticidas e fungicidas, intercaladamente, a cada mês pelo menos, mas tenha cuidado para não intoxicar suas orquídeas e você próprio. VIII - Informações Gerais Filie-se à ORQUIDA-RIO - ou à CAOB para receber publicações e informações adequadas e visite outros sites de associações. Procure saber mais sobre o habitat de sua planta preferida. C. nobilior var, amaliae, de Goiás, pode passar meses sem receber chuva. Cuidado, portanto, para não matá-la afogada! L. pumila adora umidade; não vá deixá-la secar em excesso. Desta forma, espera-se que suas plantas correspondam, produzindo uma bela floração. Orquidário Vale Feliz |